Foto: Reprodução A vergonha mundial, ocorrida na partida entre Brasil e Argentina, na terça-feira (21), válida pela 6ª rodada das eliminatórias para a Copa do Mundo, virou 'jogo de empurra' entre as partes envolvidas na organização, principalmente por conta da torcida mista.
Com notas divulgadas nesta quarta-feira (22), a Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Confederação Brasileira de Futebol “lavam as mãos" em cima do caso.
A PM-RJ disse que a decisão de não dividir a torcida foi da organização do jogo, sem especificar quem seria o responsável no caso, o Maracanã ou a CBF.
"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que na noite desta terça-feira (21/11), policiais militares do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE) atuaram em uma confusão entre torcedores, durante a realização da partida entre Brasil e Argentina válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo, no Estádio do Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao todo, oito pessoas foram conduzidas ao Juizado Especial Criminal. De acordo com o comando da unidade, a confusão teve início durante a execução do hino nacional da equipe visitante", diz a nota.
"Cabe ressaltar que, não havia divisão entre torcidas nos setores do Estádio do Maracanã, por conta da venda de ingressos sem diferença entre as torcidas, o que foi definido pela organização do evento. Os agentes do BEPE atuam nos casos em que a situação não é prontamente controlada pela equipe de segurança particular, de acordo com protocolos estabelecidos pela organização da competição", completou a PM.
Antes da publicação da nota oficial, o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, declarou, na zona mista, que a “operação do jogo era de responsabilidade do consórcio Maracanã”.
"Só pra deixar claro pra todo mundo, a CBF não tem um ser na organização da partida. Nós contratamos o consórcio Maracanã que opera o Maracanã 70 vezes por ano. Toda operação era do consórcio. A PM participou de todas as reuniões, sabia como ia ser. Todos os jogos de seleções não têm divisão. Eles têm que considerar se há risco. Se eles determinam que há risco, eles têm que fazer o trabalho que eles fazem. Ninguém viu bandeira vermelha. A gente não faz policiamento, quem tem que medir o risco não é a CBF", disse.
"A gente não participou da operação do jogo com ninguém. A gente está pagando pra jogar no Maracanã e a operação toda é do Maracanã e a segurança é da polícia. Se não daqui a pouco sai briga na rua e a culpa é nossa", completou.
Já a CBF ressaltou, através de comunicado oficial, que a organização da partida foi realizada de forma cuidadosa e estratégica em conjunto com todos os órgãos públicos competentes, especialmente a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
“Todo o planejamento do jogo, em especial o plano de ação e o de segurança, foram sim debatidos com as autoridades públicas do Rio de Janeiro em reuniões realizadas entre as partes”, diz parte da nota.
Agora, o episódio será analisado direta e indiretamente pela FIFA. O relatório da partida será encaminhado ao Comitê Disciplinar da entidade. Por ser um jogo de Eliminatórias para a Copa, o delegado da partida se reporta à FIFA, embora houvesse vários encarregados da Conmebol. Os delegados são em maioria da América do Sul, mas sob designação da própria FIFA.
O Brasil agora só volta a campo pelas competição em setembro de 2024. Antes disso, a seleção disputa amistosos e a Copa América.
Confira a nota da CBF :
A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL vem prestar os seguintes esclarecimentos sobre os incidentes ocorridos no jogo Brasil x Argentina, realizado nesta terça-feira 21/11/2023, no Maracanã, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2026.
É importante esclarecer que a organização e o planejamento da partida foram realizados de forma cuidadosa e estratégica pela CBF, em conjunto e em constante diálogo com todos os órgãos públicos competentes, especialmente a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Todo o planejamento do jogo, em especial os planos de ação e o de segurança, foi sim debatido com as autoridades públicas do Rio de Janeiro em reuniões realizadas entre as partes.
Os planos de ação e segurança foram aprovados sem qualquer ressalva ou recomendação pelas autoridades de segurança pública presentes (Polícia Militar RJ, SEPOL, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Guarda Municipal, CET-RIO, Subprefeitura, Concessionária Maracanã, SEOP, etc.), dentre as quais a Polícia Militar do RJ, na primeira reunião realizada na sede da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), no dia 16 de novembro de 2023, às 11:00h. Além dos planos de ação e de segurança, os participantes da reunião trataram também de toda a montagem da operação da partida, contando com a participação de todas as partes diretamente envolvidas e responsáveis pela organização da partida e autoridades públicas.
Na segunda-feira (20), o plano operacional para o jogo foi igualmente aprovado sem qualquer ressalva ou recomendação na reunião realizada no Estádio Maracanã, com a presença da CBF, representantes da CONMEBOL, da Polícia Militar RJ, das empresas responsáveis pela operação do Maracanã, e que operam mais de 70 jogos no estádio por ano, e outras autoridades públicas.
A realização da partida com torcida mista sempre foi de ciência da Polícia Militar do RJ e das demais autoridades públicas, pois é o padrão em competições organizadas pela FIFA e CONMEBOL, como ocorre nas Eliminatórias da Copa do Mundo, na própria Copa do Mundo, Copa América e outras competições. Outros jogos entre Brasil e Argentina, até de maior apelo, como a semifinal da Copa América de 2019, também foram disputados com torcida mista. Não se trata de um modelo inventado ou imposto pela CBF.
Ou seja, todo o plano de ação e de segurança foi elaborado e dimensionado já considerando a classificação do jogo como vermelha e com a presença de torcida mista, tanto que atuaram na segurança da partida 1050 vigilantes privados e mais de 700 policiais militares da Polícia Militar RJ.
Portanto, a CBF reafirma que foi cumprido rigorosamente o plano de ação, de segurança e operação da partida, tal qual foi aprovado pela Polícia Militar RJ e demais autoridades.
Por fim, a única recomendação recebida pela CBF de qualquer autoridade pública ao longo de todo o período que antecedeu a partida entre Brasil e Argentina, foi uma recomendação do Ministério Público, da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, para que “NÃO realizem partidas de futebol no ano de 2023 com o formato de disponibilização da carga total de ingressos através de um tíquete eletrônico apresentado mediante exibição do aparelho de telefonia celular, tal como ocorrido na partida da final da Copa Libertadores no dia 04 de novembro de 2023” e que “Exijam no ano de 2023 dos torcedores que se aproximem das catracas a exibição de evidência física (tíquete de papel e/ou cartão de sócio torcedores) de que o torcedor possui um tíquete de ingresso para se aproximar das catracas do Estádio Mário Filho – Maracanã, de modo a evitar a invasão de torcedores que não possuam ingressos para assistir à partida.”