Foto: Reprodução O baiano Charles Sena, de 30 anos, não imaginava os momentos de terror que teria pela frente quando aceitou um convite para ministrar oficinas de futevôlei em Israel. Ele está no país desde agosto e, no último sábado, foi surpreendido com os ataques do Hamas, grupo terrorista que governa a Faixa de Gaza.
Tem três dias que eu não quero nem sair na rua. Ainda não tenho vontade de sair na rua, não me sinto seguro ainda.
— Charles Sena, professor e ex-jogador de futevôlei.
Charles é natural de Valença e morava em Morro de São Paulo quando aceitou o convite para dar aulas de futevôlei em Netanya e Tel Aviv, capital de Israel. Ele é ex-jogador profissional da modalidade e chegou a vencer o Campeonato Baiano em seis oportunidades.
- Vim passar um pouco do que eu sei de futevôlei, eu dou aula na Bahia, em Morro de São Paulo. Fui convidado para passar nas escolas e ensinar um pouco do que eu sei. Tenho dois meses e alguns dias - conta o baiano.
O professor de futevôlei conta que ele estava em casa quando os ataques começaram, durante a madrugada do último sábado. Apesar de morar em Netanya, cerca de 30km de distância de Tel Aviv, Charles tinha como rotina ir até a capital para dar aulas.
- Os ataques começaram durante a madrugada, eu estava em casa já. Só fui saber no outro dia de manhã. Estava protegido em casa, graças a Deus. Tem vezes que eu saio 4h da manhã para pegar ônibus, ir para Tel Aviv para dar aula, a rotina é difícil. Ainda bem que nesse dia eu estava em casa - disse.
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Charles Sena é professor de futevôlei e está em Israel — Foto: Reprodução
Não estou saindo de casa, não tenho nem vontade. Quero voltar. Mas se for para esperar, vou fazer o quê? Esperar, né?!
— Charles Sena.
Charles foi para Israel com data para voltar: 22 de novembro. O baiano, no entanto, tem pressa para deixar o país. Ele contou que já deu início ao processo para retornar em um dos aviões enviados pela Força Aérea Brasileira (FAB). O primeiro deixou Israel com 200 brasileiros a bordo durante a tarde da última terça-feira.
- A gente já tem a data da passagem, que é dia 22 de novembro. Mas, se for possível, nós vamos à embaixada brasileira resolver se tem como eu e meu colega voltarmos. Se tiver como, vamos tentar fazer isso antes de chegar a data da passagem. Mas se não tiver, vamos ter que esperar. Eu entrei no site e preenchi o formulário, estou esperando o retorno deles, mas até agora não entraram em contato. Fiquei sabendo que tem que ir na embaixada brasileira, que fica em Tel Aviv, mas lá está tendo guerra, está sendo atacada. Aí eu não sei se vou ou não lá - lamentou.
Apesar do susto e dos dias de terror, o professor de futevôlei garante que vai guardar na memória também as boas lembranças de Israel. Ele disse que não teve outros problemas nos últimos dois meses e que foi bem recebido no país.
- Sem ser esse problema, o país é top. Estava gostando bastante. Pretendo voltar aqui em breve. O país em si é excelente, gostei bastante. Se for convidado outra vez, venho. Fora isso, não teve problema nenhum. Dava aulas em Tel Aviv, mas mudou totalmente agora a rotina. Não sei o que vai acontecer. Dizem que vai melhorar as coisas, mas não quero esperar - garante.