Foto: Felipe Oliveira/ECB Com 9941 votos, 86% do total, Guilherme Bellintani foi reeleito presidente do Bahia no último sábado. Ao mesmo tempo que mostra alta aprovação e confiança no trabalho exercido nos últimos três anos, a eleição também traz um peso maior sobre os ombros do dirigente, que ainda tem uma temporada 2020 de mais baixos que altos para encerrar.
No discurso após o resultado da eleição, o próprio Guilherme Bellintani falou sobre os desafios e a missão de ampliar os acertos e corrigir os erros.
- Não deitaremos no confortável número de 86%. Isso aumenta a nossa responsabilidade e inquietação, porque isso significa que as pessoas disseram: “Vocês evoluíram, mas também falharam; mas a gente continua confiando que vocês são as pessoas corretas para corrigir os próprios erros e ampliar os acertos - disse Bellintani.
Diante disso, o ge listou os principais desafios que Guilherme Bellintani terá no Bahia:
1 - Reformular Departamento de Futebol
Embora tenha conquistado o tricampeonato baiano, o que não ocorria desde a década de 1980, o futebol do Bahia deixou a desejar na primeira gestão de Guilherme Bellintani. A expectativa de brigar na parte de cima da tabela de classificação da Série A está longe de ser cumprida. Atualmente, a equipe ocupa a 16ª posição do Campeonato Brasileiro, três pontos acima do Vasco, que abre o Z-4.
Para ter um desempenho diferente no segundo mandato, Bellintani afirmou que promoverá grandes mudanças no futebol. Bastante criticado, o direto de futebol do clube, seja ele quem for, não terá mais poder absoluto em todos os setores do departamento. Durante a campanha, o presidente tricolor afirmou que irá dividir o futebol entre base e transição, contratações e departamento de desempenho.
A ideia é não personificar o departamento, o que ocorreu com o atual diretor, Diego Cerri, e diminuir os riscos de cometer erros no carro-chefe do clube. Por sinal, a permanência de Cerri, que tem contrato até o fim deste mês, está praticamente descartada.
2 - Recuperar "sócios perdidos" na pandemia
Quando Bellintani assumiu como presidente, no fim de 2017, o Bahia tinha 14 mil sócios. Com ações que incluíram planos com preços mais populares, o quadro de associados aumentou e chegou a 45 mil em março deste ano. No entanto, a pandemia de coronavírus impôs um freio ao clube, que perdeu aproximadamente 20 mil sócios em nove meses.
Atualmente, o Bahia possui quase 25 mil sócios. Recuperar os associados que deixaram o clube durante a pandemia é uma das tarefas que Bellintani terá pela frente no próximo triênio.
Como a presença de público no estádio está proibida até o fim da temporada, o Bahia não terá, até fevereiro de 2021, o atrativo do acesso garantido atrativo do acesso garantido ou descontos em ingressos para tentar recuperar associados.
3 - Retomar hegemonia no nordeste
O Bahia ainda não conseguiu transformar em títulos regionais o bom trabalho realizado nos bastidores. Embora também encontre outros clubes estruturados pela frente, como Fortaleza e Ceará, por exemplo, o Tricolor, nos últimos anos, acumulou decepções, seja por cair diante de adversários com menor orçamento ou jogar mal contra os principais rivais.
O último titulo da Copa do Nordeste do Bahia foi em 2017, na época presidente por Marcelo Sant`Ana. Com Guilherme Bellintani, o Tricolor ficou com o vice-campeonato para o Sampaio Corrêa em 2018, parou na primeira fase ainda em 2019 e perdeu a final para o Ceará em 2020. Por sinal, o Vozão encerrou o ano com quatro vitórias e um empate diante do Esquadrão.
4 - Administrar o rombo provocado pela pandemia
A pandemia de coronavírus provocou efeitos devastadores nas finanças dos clubes brasileiros. Mesmo organizado administrativamente, o Bahia não escapou dos problemas de caixa provocados pelos meses sem futebol e estádios vazios. Durante a campanha, Bellintani afirmou que existia a expectativa de que o clube fechasse a temporada com prejuízo de R$ 25 milhões.
O déficit será provocado pela diminuição no poder de arrecadação do clube. O orçamento do Bahia previa o recebimento de R$ 30 milhões apenas com venda de jogadores. Porém, o clube nem chegou perto do valor. A maior venda foi a de Flávio, negociado com o Trabzonspor, da Turquia, por cerca de R$ 7,7 milhões.
Com problemas financeiros, o Bahia não deverá fazer grandes investimentos em 2021. A tendência é que o clube procure adiar compromissos que exijam grandes quantias, como é o caso da compra do volante Ramon, que pertence ao Internacional. O Tricolor tem a preferência na compra dos direitos econômicos do atleta, mas busca uma extensão do empréstimo.
5 - Aproveitar melhor jogadores formados na base
Do time titular do Bahia, apenas Juninho Capixaba é formado na base do clube. Embora tenha no elenco Marco Antônio e Saldanha e até subido recentemente alguns jogadores do sub-20, casos de Patrick de Lucca, João Victor e Hélior Junior (por necessidade), fica claro que o Tricolor ainda aproveita pouco os seus jogadores. E alguns movimentos da diretoria no mercado mostram isso.
Recentemente, o Bahia observou a necessidade de melhorar o desempenho do seu ataque, contratou por empréstimo Gabriel Novaes, de 21 anos, o que, consequentemente, diminuiu o espaço de Saldanha, que até então vinha sendo utilizado como reserva de Gilberto. A boa notícia é que a chegada de Dado Cavalcanti para coordenar as categorias de base do Bahia mostra que o clube está preocupado em ser mais efetivo no desenvolvimento dos seus jogos talentos.
6 - Fortalecer futebol feminino
No primeiro ano após encerrar parceria com o Lusaca, o Bahia conquistou o acesso para a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro Feminino. A vaga, consequentemente, vai exigir que o time seja fortalecido para a próxima temporada.
No orçamento definido no início da temporada, foi estabelecido que o futebol feminino custaria R$ 700 mil, um acréscimo de 25% em relação ao investimento feito em 2019. Em junho, em entrevista ao blog Dona do Campinho, Bellintani falou dos planos para o futuro da modalidade, como construção de alojamento e campo próprio no CT Evaristo de Macedo.