Neymar pode levar sete jogos de suspensão por agressão
14/09/2020 | 18:39:07 emcimadolance
Foto: Reprodução

Expulso depois de acertar um tapa em Álvaro González, em meio à revolta por uma acusação de racismo no fim do duelo entre PSG e Olympique de Marselha, Neymar pode receber até sete jogos de suspensão. Acusado de racismo, González poderia ter gancho de até 10 partidas.

Quem decidirá sobre as sanções será o comitê disciplinar da Liga de Futebol Profissional (LFP) da França. Segundo a  rádio francesa, rádio “RMC”, o ato de Neymar poderia ser enquadrado em artigos diferentes. O mais pesado seria “ato de brutalidade ou golpe cometido fora do ato de jogo” – que renderia até sete partidas de suspensão.

O comitê também decidirá sobre Álvaro González, acusado por Neymar de ter proferido injúrias raciais no fim do clássico. O brasileiro afirma que o espanhol o chamou de “Macaco filho da p…”, o que poderia ser enquadrado no artigo de “palavras, gestos ou atitudes dirigidas a uma pessoa em particular devido à ideologia, raça, etnia, religião, nacionalidade, aparência, orientação sexual, gênero ou deficiência”.

O PSG divulgou nesta segunda-feira (14) uma nota oficial de apoio a Neymar.

– O clube lembra que não há lugar para o racismo na sociedade, no futebol ou nas nossas vidas e apela a todos para que se manifestem contra todas as suas manifestações em todo o mundo – afirma a nota

Neymar também fez uma nova publicação e  apontou que ficou revoltado por não ser ouvido pelos árbitros em campo e que ainda vem refletindo sobre sua agressão, se questionando se deveria ter ignorado o ato racista adversário.

Confira o desabafo de Neymar na íntegra:

“Ontem me revoltei, fui punido com vermelho porque quis dar um cascudo em quem me ofendeu. Achei que não poderia sair sem fazer nada porque percebi que os responsáveis não fariam nada, não percebiam ou ignoravam. Durante o jogo, queria dar a resposta como sempre, jogando futebol. Os fatos mostram que não consegui, me revoltei.

No nosso esporte, as agressões, insultos, palavrões são do jogo, da disputa. Não dá para ser carinhoso. Entendo esse cara em parte. Faz parte do jogo. Mas o preconceito e a intolerância são inaceitáveis. Eu sou negro, filho de negro, neto e bisneto de negro. Tenho orgulho e não me vejo diferente de ninguém. Ontem eu queria que os responsáveis pelo jogo (árbitro, auxiliares) se posicionassem de modo imparcial e entendessem que não cabe tal atitude preconceituosa.

Nós que estamos envolvidos no entretenimento precisamos refletir. Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o defensor também seja punido.

O racismo existe, mas temos que dar um basta. Não cabe mais, chega! O cara foi um tolo, eu também fui por me deixar ser atingido… Eu ainda hoje tenho o privilégio de me manter com a cabeça levantada, mas todos nós precisamos refletir que nem todos os pretos e brancos podem estar na mesma condição. O dano do confronto pode ser desastroso para ambos os lados, quer seja preto ou branco. Não quero e não podemos misturar assuntos. Cor de pele não há escolha. Perante Deus somos todos iguais.

Agora… Ontem perdi no jogo e me faltou sabedoria… Estar no centro dessa situação ou ignorar um ato racista não vai ajudar, eu sei. Mas pacificar esse movimento “antirracismo” é obrigação nossa para que o menos privilegiado receba naturalmente sua defesa. Vamos nos encontrar novamente e vai ser do meu jeito, jogando futebol… Fica na paz! Fica em paz! Você sabe o que falou… Eu sei o que fiz! Mais amor ao mundo!”

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