Foto: Alô Juca O caso de racismo envolvendo um torcedor chileno durante a partida entre Bahia e O’Higgins, pela Copa Libertadores, ganhou um novo desdobramento jurídico. Na manhã desta sexta feira, dia 27 de fevereiro de 2026, a 3ª Vara das Garantias de Salvador decidiu converter a prisão em flagrante de Francisco Javier Sepulveda Vargas em prisão preventiva.
Embora o juiz Cidval Santos Sousa Filho tenha apontado uma falha técnica no momento da detenção — o relaxamento da prisão em flagrante ocorreu porque não havia um intérprete oficial para o interrogatório na delegacia —, o magistrado entendeu que a gravidade do ato justificava a manutenção da prisão. Francisco Javier foi flagrado pelas câmeras de monitoramento da Arena Fonte Nova simulando gestos de macaco em direção aos atletas e torcedores do Esquadrão na última quarta feira, dia 25 de fevereiro.
Em seu depoimento, o acusado alegou não se recordar dos gestos, mas admitiu ter agido “sem pensar nas consequências” e afirmou que não tinha a intenção de ofender. No entanto, a justificativa não foi aceita pela Justiça baiana.
Ao fundamentar a prisão preventiva, o magistrado destacou que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível no Brasil. O juiz também rebateu qualquer argumento de desconhecimento da lei, citando que a própria legislação do Chile protege populações afrodescendentes contra a discriminação.
“Um cidadão proveniente de país que adota essa postura normativa não pode, com mínima credibilidade, alegar que desconhecia que ofender uma pessoa em razão de sua raça ou cor poderia constituir conduta ilícita”, argumentou o magistrado em sua decisão.
O texto jurídico ainda enfatizou o simbolismo negativo da agressão ocorrer em Salvador, a cidade com a maior população negra fora do continente africano. O juiz pontuou que transformar o futebol em palco de segregação racial, especialmente em um torneio com protocolos rígidos da Conmebol, exige uma resposta firme do Judiciário. A defesa do chileno ainda pode recorrer da decisão, mas, por ora, ele permanece detido à disposição da Justiça brasileira.