Bolsa Atleta Municipal e falta de espaços de treino: talentos de Camaçari resistem, superam obstáculos e seguem fazendo história no esporte
07/01/2026 | 19:10:10 Paulo Melo
Foto: Reprodução

Mesmo diante da ausência do Bolsa Atleta Municipal, da escassez de patrocínios e da carência de espaços adequados para treino, atletas de Camaçari continuam representando o município e alcançando resultados relevantes em competições oficiais. A realidade é marcada por dificuldades financeiras, rotinas de treino reduzidas e deslocamentos custeados do próprio bolso, cenário que exige sacrifício diário, mas não enfraquece o compromisso com o esporte e com a cidade.

No karatê, Camaçari mantém presença constante em pódios estaduais com atletas como Letícia Guedes, Maria Clara Nascimento, Adailton Santana, J. Breno Carvalho, Hamyson Souza, Arthur Cunha, Yasmim Jennifer e Marianna Souza. A modalidade também é fortalecida pelo trabalho de Lenise Guedes, referência na formação e no desenvolvimento do karatê no município. Mesmo com conquistas expressivas, atletas e equipe técnica dependem majoritariamente do esforço próprio e do apoio familiar para manter a rotina de treinos e a participação em campeonatos.

O jiu jitsu simboliza a resistência do esporte camaçariense. Laerte Silva, conhecido como “Mammute”, e Jair Araújo, o “Rato”, são referências da modalidade e levam o nome de Camaçari a competições estaduais e nacionais, mesmo sem patrocínio fixo ou incentivo público contínuo.

No futvôlei, a cidade também vem sendo representada por atletas que enfrentam a mesma realidade. Amandinha, atleta de Camaçari, se destaca na modalidade e segue competindo mesmo diante da falta de apoio financeiro e de incentivos estruturados, mantendo o nome do município presente em disputas realizadas em quadras de areia da região e em eventos esportivos locais.

Na patinação, a modalidade segue em crescimento graças à dedicação de Lidiane Pinto, um dos principais nomes do esporte na cidade. Sem apoio financeiro institucional, ela idealizou e promoveu a Patinoterapia, iniciativa que fortaleceu a prática esportiva e incentivou novos atletas. Lidiane se tornou a primeira instrutora certificada em patins do Nordeste, com curso realizado em Brasília pela Associação de Patinação Inline, referência nacional e internacional na modalidade. Agora, devidamente certificada, compartilha sua experiência com novos praticantes em Camaçari, mantendo a modalidade ativa no município.

O xadrez também demonstra força apesar das limitações. Atletas de Camaçari como Jefferson Teles, campeão na categoria Deficiente Visual no Festival de Xadrez do Interior, Maria Sophia, vice campeã Sub 10, e Gabriela Couto, terceira colocada no Campeonato Baiano de Xadrez Clássico Feminino, conquistaram resultados importantes mesmo sem apoio financeiro regular. O desenvolvimento da modalidade passa ainda pelo trabalho de Michel dos Santos Almeida, Diretor do Nordeste da Liga Brasileira de Xadrez, morador da Gleba E, em Camaçari, e Conselheiro Municipal de Esportes, além da atuação de Luís Roberto na formação e organização do xadrez local.

Também merecem destaque os resultados recentes nas categorias blitz e rápido, envolvendo atletas formados em projetos locais. Entre os alunos do professor Michel Santos, Bruno Sérgio foi vice campeão Sub 18 no blitz e no rápido, Ícaro Tiago conquistou o vice campeonato Sub 14 nas duas categorias, Lara Fabian alcançou o terceiro lugar no feminino absoluto no blitz, e Michel Santos terminou na décima colocação no absoluto do rápido. Já entre os alunos do professor Luís Roberto, Maria Sophia foi vice campeã Sub 10 no rápido, enquanto Thalane Bispo garantiu o terceiro lugar Sub 14 no blitz.

Na natação, Camaçari enfrenta desafios semelhantes. Bruno Senna, nadador do município, segue se destacando em competições e mantendo o nome da cidade em evidência, mesmo lidando com custos elevados de treinamento e a ausência de políticas públicas consistentes voltadas ao esporte individual.

A trajetória do esporte em Camaçari é construída por atletas que não desistem, mesmo quando o apoio não chega. Medalhas, títulos e representações oficiais continuam sendo conquistados com sacrifício, disciplina e amor pelo esporte. O que esses atletas reivindicam não é privilégio, mas reconhecimento e incentivo mínimos, especialmente por meio do Bolsa Atleta Municipal, além de espaços adequados para treino, para seguir representando a cidade com dignidade e transformar esforço individual em orgulho coletivo.

Além dessas modalidades, outros esportes praticados em Camaçari, como futebol amador, futsal, atletismo, ciclismo, basquete, handebol, artes marciais, esportes de base e projetos comunitários, também enfrentam dificuldades semelhantes e precisam de apoio contínuo para continuar revelando talentos e fortalecendo o esporte local.

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