Foto: Reprodução A possível adoção de uma camisa vermelha como uniforme reserva da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma onda de críticas e mobilizou parlamentares no Senado Federal, que avaliam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues. A proposta, impulsionada principalmente por senadores bolsonaristas, ganhou força após um suposto vazamento do uniforme nas redes sociais, gerando acusações de politização do símbolo nacional.
Os parlamentares alegam que a escolha da cor vermelha, associada por eles ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao presidente Lula, carrega intenções políticas, especialmente em um contexto de ano eleitoral. O senador Magno Malta (PL-ES) criticou a iniciativa, afirmando que a mudança pode afastar torcedores. “A Seleção já não lota estádios. Façam a camisa vermelha e verão arquibancadas vazias”, declarou. Já o senador Cleitinho (Republicanos-MG) acusou a CBF de permitir interferências ideológicas e defendeu a CPI, argumentando que as cores da Seleção devem refletir a bandeira nacional. “A Copa do Mundo é ano eleitoral. Querem fazer politicagem e acabar com a tradição”, disparou.
A controvérsia também chegou à Câmara dos Deputados. O deputado Maurício Marcon (Podemos-RS) apresentou um projeto de lei para proibir o uso de cores fora do padrão da bandeira brasileira em uniformes de seleções nacionais, reforçando a visão de que a camisa da Seleção é um símbolo nacional que não deve ser usado para fins políticos.
A CBF, por meio de nota oficial, negou que as imagens divulgadas sejam de uniformes oficiais, esclarecendo que a nova linha para a Copa de 2026 ainda está em fase de definição. A entidade destacou que, conforme seu estatuto, as cores dos uniformes devem seguir as da bandeira nacional, exceto em ocasiões comemorativas. Historicamente, a Seleção já usou vermelho em 1917 e 1936, mas a escolha atual reacendeu debates por conta do contexto político.
A polêmica também atraiu a atenção de figuras públicas, como o narrador Galvão Bueno, que criticou a suposta mudança. Nos próximos dias, os senadores devem votar um convite para que Ednaldo Rodrigues preste esclarecimentos no Congresso. Caso a CPI seja aprovada, a investigação pode aprofundar o embate entre a CBF e parlamentares, intensificando o debate sobre a relação entre esporte, política e identidade nacional.