Conheça a história vitoriosa da técnica da Seleção Brasileira feminina Dilma Mendes
05/08/2022 | 18:18:43 Paulo Melo
Foto: Reprodução

Na segunda edição do Guerreiras da Bola, vamos conhecer a história da treinadora do time masculino do Vitória/Camaçari e da Seleção Brasileira feminina Dilma Mendes. Um exemplo de resistência e amor ao esporte, que vem colhendo os frutos do seu esforço incessante. A treinadora já tem uma Copa América e uma Copa do Mundo com a Seleção.

“Comecei a jogar futebol em uma época que o esporte era proibido para as mulheres. Era difícil e divertido, porque a polícia prendia mesmo, então tínhamos que correr para escapar deles e eu adorava isso. Fazia as covas rasas no mato e quando a polícia vinha, os garotos me avisam e eu corria para me esconder. Minha família tinha cinco homens e duas mulheres e sempre fui incentivada a jogar bola.

Meu pai me ajudava a encobertar essa correria da minha mãe por um bom tempo, pois ela tinha medo que acontecesse algo comigo. Ele sempre falou para que eu estudasse antes de ser jogadora, em contrapartida ele me ajudaria em tudo que eu precisasse. Graças a ele, fui para um bom caminho.

Aos 15 anos, criei o primeiro time de futsal de Camaçari. Eu era tudo, treinadora, roupeira (risos). Era dureza mas sempre foi um aprendizado. Sorri, chorei muitas vezes, é verdade, mas pensava como era bom jogar bola e passar por tudo isso pelo meu sonho.

As dificuldades aumentaram porque o transporte era muito escasso para Salvador, onde eu treinava. Era apenas um trem que ia de manhã e um que voltava a tarde. Muitas vezes, eu nem almoçava para ter dinheiro para voltar para casa. Desta batalha, veio a ideia de novamente montar um time de futebol feminino em Camaçari. Conseguimos isso já nos anos 80, disputamos algumas competições e começamos a fazer uma revolução. Do proibido ao ‘eu posso’, ‘eu quero’, eu faço’. Foi uma época linda.

Vencemos muitos campeonatos por Camaçari até ser convidada a jogar no Ypiranga de Salvador. Joguei futsal, Futebol 7 e futebol de campo na minha carreira. Com uma lesão no joelho, parei de jogar em 1993, após ser campeã brasileira de futsal. É o único título que a Bahia tem até hoje no futsal. Passei a me dedicar aos estudos para ser treinadora.

Depois, cuidei da base do projeto Campo-Mar, onde foram reveladas grandes jogadoras, entre elas a Formiga. Treinei equipes como o Camaçari (BA), Saad (SP), Euroexporte (SP) e Palmeiras (SP).

Em 2000, comecei a treinar times masculinos. Quis sair da minha zona de conforto e encarar esse desafio. No início foi complicado, pensavam que eu não sabia nada. O fato é que aprendi a nunca me sentir vítima no processo de lutas em busca de espaços de protagonismo como mulher desportista. Hoje, treino o time masculino do Vitória/Camaçari, mas a discriminação ainda é muito grande.

Ser considerada uma das melhores treinadoras de Futebol 7 no mundo vale muito, principalmente porque tenho um projeto social com meninas de 6 a 16 anos. É um trabalho de transformação e isso engradece tudo o que a gente faz para o esporte e também para todas as mulheres“, disse a treinadora da Seleção Brasileira feminina de futebol 7.

 

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